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— Direito Empresarial

As cláusulas que costumam faltar nos contratos empresariais

Contratos adaptados de modelos genéricos costumam definir bem o objeto e falhar justamente nas cláusulas acionadas quando a relação dá errado.

Jefferson de Oliveira LimaOAB/CE nº 35.433Publicado em 6 min de leitura

Contratos adaptados de modelos genéricos costumam descrever bem o que cada parte entrega. Falham nas cláusulas que só são lidas quando a relação dá errado, e são exatamente essas que determinam o desfecho do conflito.

Por que o modelo pronto engana

Um modelo encontrado na internet foi escrito para uma operação que não é a sua. Ele acerta a parte fácil, a definição do objeto, porque essa parte é genérica por natureza: prestação de serviços é prestação de serviços em qualquer lugar.

A parte difícil é específica. Quanto tempo de atraso caracteriza inadimplemento nesta relação? Quem responde se um fornecedor do fornecedor falhar? O que acontece com os dados e materiais quando o contrato terminar? Nenhum modelo responde isso, porque a resposta depende da operação concreta.

As cláusulas que costumam faltar

Reajuste e revisão

Muitos contratos preveem correção por índice e param por aí. Índice de correção trata de inflação, não de alteração de carga tributária, mudança regulatória ou variação relevante de custo de insumo. Contratos de prazo longo sem cláusula de revisão deixam a parte exposta a desequilíbrio que a correção monetária não cobre.

Limitação de responsabilidade

Sem limite pactuado, a responsabilidade tende a alcançar a integralidade do dano demonstrado. Definir teto, excluir lucros cessantes ou estabelecer proporção em relação ao valor do contrato é decisão negocial que precisa estar escrita para existir.

Regras de encerramento

É a lacuna mais frequente. O contrato diz como começa e silencia sobre como termina. Faltam prazo de aviso prévio, efeitos da rescisão sobre serviços em andamento, devolução de materiais, destinação de dados e obrigações que sobrevivem ao término, como confidencialidade e não aliciamento.

Propriedade intelectual

Em contratos de desenvolvimento, criação ou consultoria, a titularidade do que foi produzido precisa ser expressa. Na ausência de cláusula, a discussão sobre quem detém o resultado se resolve por interpretação, e interpretação é justamente o que o contrato deveria dispensar.

Proteção de dados

Quando há tratamento de dados pessoais entre as partes, a Lei 13.709/2018 impõe deveres a controlador e operador. Contratos sem definição de papéis, finalidades, prazo de retenção e responsabilidade em caso de incidente deixam essa distribuição indefinida.

Solução de conflitos e foro

Foro de eleição mal escolhido transforma disputa de valor moderado em litígio economicamente inviável. Cláusulas escalonadas, que preveem tentativa de composição antes da via judicial, costumam ser mais úteis do que a simples eleição de comarca.

Como revisar o que já está assinado

Contrato em vigor não se altera por vontade unilateral. A revisão distingue três situações: o que pode ser corrigido por aditivo com concordância da outra parte, o que só pode ser ajustado na renovação, e o que exige renegociação porque toca o equilíbrio econômico do acordo.

Começar pelo mapeamento dos contratos por valor e por prazo restante indica onde a revisão produz efeito primeiro.

Fontes

Conheça a atuação do escritório em contratos empresariais.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta jurídica especializada. Oliveira & Lima Advocacia atua em Direito Tributário, Empresarial e Trabalhista. Para análise de caso concreto, entre em contato.